A acompanhante
Luz pálida e cinzenta, um quarto branco com bege, a única vivacidade que há é a blusa da acompanhante, a sandália debaixo do leito e a lixeira.
Com a camisola rosa e meio corpo coberto por um lençol, dorme sob efeito de remédio. Lábios ressecados e olhos esbranquiçados é assim que se encontra a tão radiante senhorita que ao quarto monótono já se acostumou.
A televisão ligada serve como um som de ninar, é mais fácil não resistir ao sono. O ventilador alvo, ora é importuno, ora não, pois a febre volta e meia se manifesta. No chão, marcas da cama enferrujada que foi trocada de lugar. À sua frente, uma cômoda que guarda duas cobertas, o soro pinga lentamente, como o "catiço de dor! nas costas que se delonga na visita. Mulheres de branco dos pés a cabeça entram no quarto verificando o líquido transparente conectado à veia. Os ventos que da janela vêm, balançando a cortina...
Chega o jantar com o sol ainda quente, o cheiro é agradável, sopinha de macarrão com frango e um solitário pedacinho de cenoura; o sal longe da sopa está. Na mesinha do jantar tem pão, maçãs, biscoito de vento, uma garrafa azul com sua metade contendo água; dois copos descartáveis frágeis, uma garrafinha de água de coco com um canudo branco de listras vermelhas.
A noite chega, a luz prioncipal do quarto queima e enfim o plantão da acompanhante acaba.
sábado, 1 de janeiro de 2011
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